Despedida
A meia-luz tracejava o corpo dela atirado na cama. O sol invadia a janela, como um sopro de trompete anunciando a sexta-feira. Ainda ofegante da bebida, ela assobiava um sono vazio, tão nu quanto as suas próprias costas descobertas. O cabelo escuro e crespo, pouco antes erguido volumoso, contrastava com os travesseiros de fronhas brancas, lisas, tombados sob seu retrato pálido.
A primeira vez que saíram juntos pareceu-se exatamente igual à última, com a restrição de uma mudança patente: a cachaça. Foi tragada em propostas diferentes, do mesmo jeito opostas como os seus caminhos. Uma para deliciosa descoberta, outra para rasgada despedida. Foram duas noites curtas como os vestidos temperados que ela usava.
Ele referiu algumas palavras fracassadas ao ouvido surdo da moça. Os olhos verdes, acrescidos de um contorno permanente de nanquim, cerravam numa fuga ao encontro quase irrevogável: sonhava tonta. Enquanto ele, sentado ao pé da cama, respeitava a mudidão imposta. Uma decadência corajosa que dispensava um último beijo.
Por tratado do destino, deveriam partir naquele dia mesmo. Com uma pequena antecedência a separação se fez ali, entre as mariposas. Os recém apaixonados acabaram antes das despedidas. As promessas e os abraços lamentados estavam em algum lugar do quarto. Disfarçados de garrafas vazias ou de panos transados no chão. Não imaginavam um final melhor. Era perfeito assim mesmo. Como foi.
Sem dramas.
A primeira vez que saíram juntos pareceu-se exatamente igual à última, com a restrição de uma mudança patente: a cachaça. Foi tragada em propostas diferentes, do mesmo jeito opostas como os seus caminhos. Uma para deliciosa descoberta, outra para rasgada despedida. Foram duas noites curtas como os vestidos temperados que ela usava.
Ele referiu algumas palavras fracassadas ao ouvido surdo da moça. Os olhos verdes, acrescidos de um contorno permanente de nanquim, cerravam numa fuga ao encontro quase irrevogável: sonhava tonta. Enquanto ele, sentado ao pé da cama, respeitava a mudidão imposta. Uma decadência corajosa que dispensava um último beijo.
Por tratado do destino, deveriam partir naquele dia mesmo. Com uma pequena antecedência a separação se fez ali, entre as mariposas. Os recém apaixonados acabaram antes das despedidas. As promessas e os abraços lamentados estavam em algum lugar do quarto. Disfarçados de garrafas vazias ou de panos transados no chão. Não imaginavam um final melhor. Era perfeito assim mesmo. Como foi.
Sem dramas.

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