Tormento
Já era quatro da madrugada e eu só tinha escrito duas míseras frases. Desde o anoitecer, todas as outras tentativas foram inconsistentes. O resto da página vigiava irônico meu desespero. E ela, como sempre, me cobrava uma saída. Não tem o menor talento, repetia furiosa. Tudo pra me deixar mais inseguro. Eu me sentia um rato quando isso acontecia. Um impostor. Vai morrer de fome, ela continuava. Áspera e seca como sempre foi. Eu acendo um cigarro e, pra piorar, uma dor terrível no lado esquerdo das costas. Inferno. Corpo e mente conspirando contra mim.

<< Home