Ela Era Mágica
Ela era mágica. No topo do salto agulha erguia-se orgulhosa da sua própria volúpia. Não podia ser mais linda, nem mais metódica no caminhar. Traçou uma linha reta da porta até o fim do saguão. E ficou ali parada, feito uma leoa.
A maioria tola, nem percebeu a presença repentina da moça. Porém, por sorte ou atenção, os que já sabiam dela não desviavam o olhar: pelo deleite de ter sob a vigilha seu singelo balanço, pela curiosidade implícita na sua presença destoante, ou simplesmente pelo desejo de cair com os dentes no seu pescoço e arrancar-lhe a roupa.
Nas costas, um imenso decote servia de moldura para o cabelo liso que escorria parelho até a ponta. Mais longo que costumava-se usar e extremamente bem cuidado. Era negro, mas tingido de loiro, quase vulgar. O vestido lhe caia justo, beijando seu corpo até o meio da canela. Mesmo de preto, exuberava seios, pernas e bunda numa elegância contraditória.
A sua altura ficava evidente no comparar com as outras que teimavam em cruzar a cena em preto e branco. Eram tão nítidos os olhares platônicos, que as madames se enfureciam com seus maridos e gesticulavam sem vergonha. Era desejo e discórdia, pra lá e pra cá.
Seu olhar rondava tímido a baderna. Ficou ali por horas deslumbrando os contentes. Sozinha tentava desvendar a face do procurado. Do provável par atrasado que não vinha ou sequer existia. E não fitava ninguém olho-no-olho, já sabia da sua formosura: podia encontrar ali mesmo uma companhia ordinária. Mas era pouco para a princesa-menina, esperava paciente alguém que lhe enxergasse com a justa poesia. Só queria o que era dela, o que ela merecia.
A maioria tola, nem percebeu a presença repentina da moça. Porém, por sorte ou atenção, os que já sabiam dela não desviavam o olhar: pelo deleite de ter sob a vigilha seu singelo balanço, pela curiosidade implícita na sua presença destoante, ou simplesmente pelo desejo de cair com os dentes no seu pescoço e arrancar-lhe a roupa.
Nas costas, um imenso decote servia de moldura para o cabelo liso que escorria parelho até a ponta. Mais longo que costumava-se usar e extremamente bem cuidado. Era negro, mas tingido de loiro, quase vulgar. O vestido lhe caia justo, beijando seu corpo até o meio da canela. Mesmo de preto, exuberava seios, pernas e bunda numa elegância contraditória.
A sua altura ficava evidente no comparar com as outras que teimavam em cruzar a cena em preto e branco. Eram tão nítidos os olhares platônicos, que as madames se enfureciam com seus maridos e gesticulavam sem vergonha. Era desejo e discórdia, pra lá e pra cá.
Seu olhar rondava tímido a baderna. Ficou ali por horas deslumbrando os contentes. Sozinha tentava desvendar a face do procurado. Do provável par atrasado que não vinha ou sequer existia. E não fitava ninguém olho-no-olho, já sabia da sua formosura: podia encontrar ali mesmo uma companhia ordinária. Mas era pouco para a princesa-menina, esperava paciente alguém que lhe enxergasse com a justa poesia. Só queria o que era dela, o que ela merecia.

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