domingo, junho 26, 2005

Frequentemente eu berrava pra ela: "Não me chame de filho da puta! Eu sou Bandini, Arturo Bandini!"

"Eram umas laranjas miseráveis. Sentado na cama, enfiei as unhas em suas cascas finas. Minha própria carne se franziu, minha boca se encheu de saliva e apertei os olhos ao pensar nelas. Quando mordi a polpa amarela, fiquei arrepiado como num chuveiro frio. Oh, Bandini, falando com o reflexo no espelho da penteadeira, quantos sacrifícios você faz por sua arte! Podia ser um capitão de indústria, um comerciante rico, um jogador de beisebol da grande liga, o arremessador líder com uma média de 415; mas não!

Aqui está você, arrastando-se ao longo dos dias, um gênio passando fome, fiel à sua sagrada vocação. Que coragem você possui!"