quinta-feira, junho 30, 2005

Bobagem

Tirava as bonecas do cesto
Espalhava pelo quarto
E chorava em verso
Pra ninguém saber
Rima pobre, previsível
Pela ponta da caneta
A tristeza lhe fugia
Infinito, repetia
Meu amor é infinito
No outro dia, o conforto
Já não tinha nada escrito
Lágrima seca, meu amigo
Sou boba, mas sou discreta!


Porque paraste de chorar assim, Maria Lúcia?
Tinha alma de poeta!

terça-feira, junho 28, 2005

Dia dos Namorados

Escolhe alguma coisa pra levar
Pode ser qualquer lembrança
Pode ter qualquer valor
Que eu posso parcelar
Pede jóia, pede roupa
Pede um novo celular
Só não me pede o coração
Que isso eu não vou te dar!

segunda-feira, junho 27, 2005

Bolinha de Papel

É incrível como o João Gilberto faz bossa. A música flutua feito gota de azeite em copo d'àgua. A maioria delas são uns velhos e bons sambas cariocas.
Duas das minhas músicas preferidas são de um mineiro nascido em Juiz de Fora, em 1918, Geraldo Pereira. Foi um dos maiores compositores de samba do Brasil. E já era de prever, ele aprendeu a tocar violão com o Cartola.













Bolinha de Papel

Só tenho medo da falseta
Mas adoro a Julieta como adoro
A Papai do Céu
Quero seu amor minha santinha
Mas só não quero que faça de bolinha de papel

Tiro você do emprego
Dou-lhe amor e sossego
Vou ao banco e tiro tudo pra gente gastar
Posso, oh Julieta, lhe mostrar a caderneta
Se você duvidar




E repete mil vezes sem cansar.

domingo, junho 26, 2005

O difícil não é a primeira palavra
É saber o que dizer
O saber, por si, já te indica
Te enche de possibilidades

Tanto que
Às vezes
Te transborda

Pra Que Falar de Tristeza?

Me desculpe o desencanto
Pra que sambar
Se o meu passo falsa tanto?
E a minha dança
Não vai encarar meu pranto?

E me desculpa a franqueza
Pra que sambar
Essa cadência de tristeza
Que não sabe
E que nem tem mais a certeza

Que o teu samba tem amor

E me desculpa a honestidade
Esse teu canto
Nem é samba de verdade
Não é samba de verdade
Não é samba, não senhor

Não há samba sem amor!

Conversa Fiada

É essa falta de ar,
Essa falta de par,
Esse suspiro que me faz cantar

É esse medo de errar,
É essa mesa de bar,
Essa tristeza no olhar

Essa procura por lar
Procurando cessar
Esse medo de amar

É chorar por chorar
Chorando em notas
Esse blá-blá-blá

Pra Menina no Ônibus

O ônibus balança
E treme o traço
Como tremeriam as palavras
Se eu fosse elas te dizer
Todo poema
É um pedacinho de tristeza
Que resolveu
Se embelecer

Frequentemente eu berrava pra ela: "Não me chame de filho da puta! Eu sou Bandini, Arturo Bandini!"

"Eram umas laranjas miseráveis. Sentado na cama, enfiei as unhas em suas cascas finas. Minha própria carne se franziu, minha boca se encheu de saliva e apertei os olhos ao pensar nelas. Quando mordi a polpa amarela, fiquei arrepiado como num chuveiro frio. Oh, Bandini, falando com o reflexo no espelho da penteadeira, quantos sacrifícios você faz por sua arte! Podia ser um capitão de indústria, um comerciante rico, um jogador de beisebol da grande liga, o arremessador líder com uma média de 415; mas não!

Aqui está você, arrastando-se ao longo dos dias, um gênio passando fome, fiel à sua sagrada vocação. Que coragem você possui!"