sábado, agosto 11, 2012
No anil celestial
Na cor da flor do linho
No escuro do oceano
Na porcelana chinesa
No petróleo e no ciano
No cobalto e na turquesa
Mas só você quem tem
Blue
No marinho e no royal
No tom cardão do vinho
Nas telas de Mondrian
No azulejo da piscina
No céu lilás da manhã
Nos olhos de cada menina
Mas só você quem tem
Blue
domingo, abril 19, 2009
Azul Aberto
Guardei um amor secreto
Por sentir o céu mais perto
Imenso, azul aberto, exposto
Emoldurado pelo traço
Delicado do teu rosto
Por sentir o céu mais perto
Imenso, azul aberto, exposto
Emoldurado pelo traço
Delicado do teu rosto
quarta-feira, outubro 24, 2007
Oferenda
Se eu te amo, amor
Não é por acaso
Nem por destino
Como bem aqui te digo
Meu amor não é miséria
Meu amor não é castigo
Meu amor é uma onda
De silêncio repousado
Banho frio de fantasia
Sopra ao vento sossegado
Me afoga de alegria
Calmo, doce, cristalino
Meu amor não é inverno
Meu amor não é divino
E assim, porque existe
Meu amor por vez me fere
Meu amor também é triste
Mas eu te amo, ainda assim,
Como se amar mais não fosse possível
Um amor tão carinhoso
Um amor indestrutível
Que me rouba a madrugada
Como parte da rotina
Para dizer como te ama
Para lembrar como me ensina
E assim, ao te afirmar mulher querida
Protetora de um amor
Que nem por Deus foi escolhida
Te ofereço minha alma
Além do fim da minha vida
Não é por acaso
Nem por destino
Como bem aqui te digo
Meu amor não é miséria
Meu amor não é castigo
Meu amor é uma onda
De silêncio repousado
Banho frio de fantasia
Sopra ao vento sossegado
Me afoga de alegria
Calmo, doce, cristalino
Meu amor não é inverno
Meu amor não é divino
E assim, porque existe
Meu amor por vez me fere
Meu amor também é triste
Mas eu te amo, ainda assim,
Como se amar mais não fosse possível
Um amor tão carinhoso
Um amor indestrutível
Que me rouba a madrugada
Como parte da rotina
Para dizer como te ama
Para lembrar como me ensina
E assim, ao te afirmar mulher querida
Protetora de um amor
Que nem por Deus foi escolhida
Te ofereço minha alma
Além do fim da minha vida
sexta-feira, agosto 17, 2007
Segundo
Num segundo
A flor sessou
O rio tombou
O vento secou
O trem tocou
O sol parou
O sino apagou
A razão tremeu
A boca ferveu
O sangue se deu
O primeiro é você
O segundo sou eu
A flor sessou
O rio tombou
O vento secou
O trem tocou
O sol parou
O sino apagou
A razão tremeu
A boca ferveu
O sangue se deu
O primeiro é você
O segundo sou eu
segunda-feira, junho 18, 2007
Se Eu Morrer
Amor incoerente o meu
Que te priva de viver
Com quem te ama
Tua tristeza me sufoca
E me impede de viver
Um fim feliz
E o que eu fiz?
São suas mãos puxando
Meu cabelo
É o teu zelo
Que pesadelo
Não estar ao lado teu
Amor vulgar
Que me consome
Eu não fui homem
De te ouvir
Não vai mentir:
Quem se perdeu?
Quem te socorre?
Quem morre?
Sou eu?
Que te priva de viver
Com quem te ama
Tua tristeza me sufoca
E me impede de viver
Um fim feliz
E o que eu fiz?
São suas mãos puxando
Meu cabelo
É o teu zelo
Que pesadelo
Não estar ao lado teu
Amor vulgar
Que me consome
Eu não fui homem
De te ouvir
Não vai mentir:
Quem se perdeu?
Quem te socorre?
Quem morre?
Sou eu?
terça-feira, outubro 10, 2006
Em você e você
Pensa depressa
Pára no meio
E desinteressa
Pensa igual
Fosse do avesso
Pensa,
Que eu juro que penso
Pensa demais
Ou pensa a vontade
Pensa e sente saudade
E eu que só penso
E eu que só penso
Em você
E você?
Pára no meio
E desinteressa
Pensa igual
Fosse do avesso
Pensa,
Que eu juro que penso
Pensa demais
Ou pensa a vontade
Pensa e sente saudade
E eu que só penso
E eu que só penso
Em você
E você?
terça-feira, agosto 01, 2006
Meu Jardim
Ah, minha bem-amada
Minha ousadia
Quero roubar-te
A noite
Quero zombar-te
O dia
Independente da razão
Ou da certeza
Quero tombar-te
O corpo
E lançar-te
À correnteza
No feitio que sustentas
Maviosa primavera
Quero sugar-te
A alma
Só saudade
Desespera
Flor de cálice dourado
Deixa levar-te o vento
Que ele sopra
Apaixonado
sábado, maio 27, 2006
sábado, março 18, 2006
Baliza da Beleza
Tateia no escuro
O casal de apaixonados
A declamar
Seus versos de bem-amar
Caminham pela casa
De olhos vendados
Até um bater o pé
Na esquina do sofá
O casal de apaixonados
A declamar
Seus versos de bem-amar
Caminham pela casa
De olhos vendados
Até um bater o pé
Na esquina do sofá
domingo, fevereiro 05, 2006
Saia Cor-de-Rosa
Com exageros
Engraxados de veemência
Proferiu ao novo par
Toda sua inocência
Chamou-o de príncipe
Fez-se mulamba
Disse que era preta
Pra poder dançar seu samba
Reflexo indecente
Da própria solidão
Trocou toda saudade
Por um gole de ilusão
E na avenida
Esquecida da tristeza
Vestiu sua sandália
Pra poder virar princesa
A moça prosa
Alindada de flor
Saiu de saia cor-de-rosa
Atrás do novo amor
Engraxados de veemência
Proferiu ao novo par
Toda sua inocência
Chamou-o de príncipe
Fez-se mulamba
Disse que era preta
Pra poder dançar seu samba
Reflexo indecente
Da própria solidão
Trocou toda saudade
Por um gole de ilusão
E na avenida
Esquecida da tristeza
Vestiu sua sandália
Pra poder virar princesa
A moça prosa
Alindada de flor
Saiu de saia cor-de-rosa
Atrás do novo amor
segunda-feira, janeiro 23, 2006
Volta!
Mal atados, os laços
Romperam ao vir
Da ventania
Rasgando meus braços
Pintando pedaços
Da sala vazia
Passei me privando
Pisando nos cacos
Do meu coração
E o vento baixinho
Pelo desalinho
soprava perdão
Gracejos
De versos amantes
Cruzavam o ar
-Assombros à noite-
Chorando
Você não voltar
Mas quando teus olhos, querida
Cortaram os meus
Uma porção de saudade
Os acompanhou
O tempo não se arrependeu
Você não mudou
Romperam ao vir
Da ventania
Rasgando meus braços
Pintando pedaços
Da sala vazia
Passei me privando
Pisando nos cacos
Do meu coração
E o vento baixinho
Pelo desalinho
soprava perdão
Gracejos
De versos amantes
Cruzavam o ar
-Assombros à noite-
Chorando
Você não voltar
Mas quando teus olhos, querida
Cortaram os meus
Uma porção de saudade
Os acompanhou
O tempo não se arrependeu
Você não mudou
sexta-feira, outubro 28, 2005
Despedida
A meia-luz tracejava o corpo dela atirado na cama. O sol invadia a janela, como um sopro de trompete anunciando a sexta-feira. Ainda ofegante da bebida, ela assobiava um sono vazio, tão nu quanto as suas próprias costas descobertas. O cabelo escuro e crespo, pouco antes erguido volumoso, contrastava com os travesseiros de fronhas brancas, lisas, tombados sob seu retrato pálido.
A primeira vez que saíram juntos pareceu-se exatamente igual à última, com a restrição de uma mudança patente: a cachaça. Foi tragada em propostas diferentes, do mesmo jeito opostas como os seus caminhos. Uma para deliciosa descoberta, outra para rasgada despedida. Foram duas noites curtas como os vestidos temperados que ela usava.
Ele referiu algumas palavras fracassadas ao ouvido surdo da moça. Os olhos verdes, acrescidos de um contorno permanente de nanquim, cerravam numa fuga ao encontro quase irrevogável: sonhava tonta. Enquanto ele, sentado ao pé da cama, respeitava a mudidão imposta. Uma decadência corajosa que dispensava um último beijo.
Por tratado do destino, deveriam partir naquele dia mesmo. Com uma pequena antecedência a separação se fez ali, entre as mariposas. Os recém apaixonados acabaram antes das despedidas. As promessas e os abraços lamentados estavam em algum lugar do quarto. Disfarçados de garrafas vazias ou de panos transados no chão. Não imaginavam um final melhor. Era perfeito assim mesmo. Como foi.
Sem dramas.
A primeira vez que saíram juntos pareceu-se exatamente igual à última, com a restrição de uma mudança patente: a cachaça. Foi tragada em propostas diferentes, do mesmo jeito opostas como os seus caminhos. Uma para deliciosa descoberta, outra para rasgada despedida. Foram duas noites curtas como os vestidos temperados que ela usava.
Ele referiu algumas palavras fracassadas ao ouvido surdo da moça. Os olhos verdes, acrescidos de um contorno permanente de nanquim, cerravam numa fuga ao encontro quase irrevogável: sonhava tonta. Enquanto ele, sentado ao pé da cama, respeitava a mudidão imposta. Uma decadência corajosa que dispensava um último beijo.
Por tratado do destino, deveriam partir naquele dia mesmo. Com uma pequena antecedência a separação se fez ali, entre as mariposas. Os recém apaixonados acabaram antes das despedidas. As promessas e os abraços lamentados estavam em algum lugar do quarto. Disfarçados de garrafas vazias ou de panos transados no chão. Não imaginavam um final melhor. Era perfeito assim mesmo. Como foi.
Sem dramas.
Despejo
Deixei uma folha quase vazia na minha escrivaninha.
Exibia um cabeçalho seco:
"Querida Alice".
Escrito de caneta preta. Ficou por dias à espera de um recado.
De um desabafo querido ou um desaforo.
Como uma bacia ao pé da cama de um doente.
Precavendo o vômito.
Exibia um cabeçalho seco:
"Querida Alice".
Escrito de caneta preta. Ficou por dias à espera de um recado.
De um desabafo querido ou um desaforo.
Como uma bacia ao pé da cama de um doente.
Precavendo o vômito.
terça-feira, outubro 25, 2005
Rosas Amarelas
Tem rosa de tanta cor diferente
Que acabam fazendo do seu próprio nome
Uma contradição
As amarelas, por exemplo,
Se julgam culpadas pelo equívoco aparente
Queriam tanto mudar de feição
Que algumas morrem torradas
Atrás de uma cor rosada
No sol fervente do verão
Uma grosseria
Pra tão branda beleza
Essa alcunha que não condiz
Quando avisto algumas delas
Digo saudante
Depois de um beijo no nariz:
Que bonitas e cheirosas pétalas
Têm esses brotos
De Amarelas
Que acabam fazendo do seu próprio nome
Uma contradição
As amarelas, por exemplo,
Se julgam culpadas pelo equívoco aparente
Queriam tanto mudar de feição
Que algumas morrem torradas
Atrás de uma cor rosada
No sol fervente do verão
Uma grosseria
Pra tão branda beleza
Essa alcunha que não condiz
Quando avisto algumas delas
Digo saudante
Depois de um beijo no nariz:
Que bonitas e cheirosas pétalas
Têm esses brotos
De Amarelas
quarta-feira, outubro 12, 2005
Do Avesso
Desde ontem
Não me reconheço mais
Nos meus versos
Eu soletro esquisito
E cada pedacinho
Tem jeito de texto antigo
Dos livros da minha vó
Mudei até a letra
E o jeito que eu seguro
A caneta
Comecei a escrever
Do avesso
Não me reconheço mais
Nos meus versos
Eu soletro esquisito
E cada pedacinho
Tem jeito de texto antigo
Dos livros da minha vó
Mudei até a letra
E o jeito que eu seguro
A caneta
Comecei a escrever
Do avesso
Poemas inacabados
São como amores mal-resolvidos
Uma hora ou outra
Eles resolvem te acordar
No meio da madrugada
Atrás de satisfação
São como amores mal-resolvidos
Uma hora ou outra
Eles resolvem te acordar
No meio da madrugada
Atrás de satisfação
sexta-feira, outubro 07, 2005
Pantano
Passa a estrada estreitinha
Passa um fusca doutro lado
Passa o campo verde oliva
Passa o dia ensolarado
Passa todo trululum do ônibus
Passo eu cuidando você
Passa o mundo na tua poltrona
E tu finges que não vê
Passa um fusca doutro lado
Passa o campo verde oliva
Passa o dia ensolarado
Passa todo trululum do ônibus
Passo eu cuidando você
Passa o mundo na tua poltrona
E tu finges que não vê
quinta-feira, setembro 08, 2005
Na Cidade
Coisa linda
O desenho dos prédios
Cruzando o asfalto
E, do alto,
Minguante
A lua assistindo
Quietinha
Ao fim do domingo
O desenho dos prédios
Cruzando o asfalto
E, do alto,
Minguante
A lua assistindo
Quietinha
Ao fim do domingo
sábado, agosto 27, 2005
Ironia
Por que tem gente
Que tenta ser séria
E fica engraçada
E outras tantas
Perdem a graça
Quando fazem piada?
Que tenta ser séria
E fica engraçada
E outras tantas
Perdem a graça
Quando fazem piada?
quarta-feira, agosto 24, 2005
domingo, agosto 21, 2005
domingo, agosto 14, 2005
sábado, agosto 06, 2005
Tormento
Já era quatro da madrugada e eu só tinha escrito duas míseras frases. Desde o anoitecer, todas as outras tentativas foram inconsistentes. O resto da página vigiava irônico meu desespero. E ela, como sempre, me cobrava uma saída. Não tem o menor talento, repetia furiosa. Tudo pra me deixar mais inseguro. Eu me sentia um rato quando isso acontecia. Um impostor. Vai morrer de fome, ela continuava. Áspera e seca como sempre foi. Eu acendo um cigarro e, pra piorar, uma dor terrível no lado esquerdo das costas. Inferno. Corpo e mente conspirando contra mim.
quarta-feira, agosto 03, 2005
Embaraço
Ela me olha apaixonada com a timidez necessária de um primeiro encontro. E fala numa delicadeza distinta, como se eu fosse obrigado a entender. Impossível. Ainda mais quando me aponta os olhos. Porque tem uma beleza perturbante. E não tem nada que ela possa dizer que o seu jeitinho inconfidente já não me soprou fofoqueiro. E nem adiantaria. Mesmo na esquisita hipótese dela encontrar palavras tão difíceis que eu não possa imaginar: vidrado, eu não teria resposta repentina pra lhe dar.
quinta-feira, julho 28, 2005
Sofia
Ao contrário das outras belas, Sofia tinha um encanto que era só dela. Alguma coisa que despertava em mim uma vontade imensa de escrever. Sua presença desencadeava numa avalanche poética. Era uma inspiração latente incontrolável. Só mais uma estrofe, eu pedia. Um vício. E com o copo cheio de uísque, voltava a me sentar no lado oposto do quarto, junto ao emaranhado de folhas rascunhadas. Enquanto ela me olhava doce, sem dizer nada. Não tenho explicação racional para a incoerente compulsória literária que me domava. Podia vir da romântica melancolia que agraciava cada frase e cada jeito da menina. Ou simplesmente do modo como ela erguia a sobrancelha quando me fitava. Não sei, eu estava menos preocupado em entender. Queria escrever. Nem que fosse apenas: Sofia, Sofia, nasceu pra rimar a minha poesia. E que eu repetisse isso a noite inteira, páginas e páginas de Sofia. Até a caneta cair.
Ela Era Mágica
Ela era mágica. No topo do salto agulha erguia-se orgulhosa da sua própria volúpia. Não podia ser mais linda, nem mais metódica no caminhar. Traçou uma linha reta da porta até o fim do saguão. E ficou ali parada, feito uma leoa.
A maioria tola, nem percebeu a presença repentina da moça. Porém, por sorte ou atenção, os que já sabiam dela não desviavam o olhar: pelo deleite de ter sob a vigilha seu singelo balanço, pela curiosidade implícita na sua presença destoante, ou simplesmente pelo desejo de cair com os dentes no seu pescoço e arrancar-lhe a roupa.
Nas costas, um imenso decote servia de moldura para o cabelo liso que escorria parelho até a ponta. Mais longo que costumava-se usar e extremamente bem cuidado. Era negro, mas tingido de loiro, quase vulgar. O vestido lhe caia justo, beijando seu corpo até o meio da canela. Mesmo de preto, exuberava seios, pernas e bunda numa elegância contraditória.
A sua altura ficava evidente no comparar com as outras que teimavam em cruzar a cena em preto e branco. Eram tão nítidos os olhares platônicos, que as madames se enfureciam com seus maridos e gesticulavam sem vergonha. Era desejo e discórdia, pra lá e pra cá.
Seu olhar rondava tímido a baderna. Ficou ali por horas deslumbrando os contentes. Sozinha tentava desvendar a face do procurado. Do provável par atrasado que não vinha ou sequer existia. E não fitava ninguém olho-no-olho, já sabia da sua formosura: podia encontrar ali mesmo uma companhia ordinária. Mas era pouco para a princesa-menina, esperava paciente alguém que lhe enxergasse com a justa poesia. Só queria o que era dela, o que ela merecia.
A maioria tola, nem percebeu a presença repentina da moça. Porém, por sorte ou atenção, os que já sabiam dela não desviavam o olhar: pelo deleite de ter sob a vigilha seu singelo balanço, pela curiosidade implícita na sua presença destoante, ou simplesmente pelo desejo de cair com os dentes no seu pescoço e arrancar-lhe a roupa.
Nas costas, um imenso decote servia de moldura para o cabelo liso que escorria parelho até a ponta. Mais longo que costumava-se usar e extremamente bem cuidado. Era negro, mas tingido de loiro, quase vulgar. O vestido lhe caia justo, beijando seu corpo até o meio da canela. Mesmo de preto, exuberava seios, pernas e bunda numa elegância contraditória.
A sua altura ficava evidente no comparar com as outras que teimavam em cruzar a cena em preto e branco. Eram tão nítidos os olhares platônicos, que as madames se enfureciam com seus maridos e gesticulavam sem vergonha. Era desejo e discórdia, pra lá e pra cá.
Seu olhar rondava tímido a baderna. Ficou ali por horas deslumbrando os contentes. Sozinha tentava desvendar a face do procurado. Do provável par atrasado que não vinha ou sequer existia. E não fitava ninguém olho-no-olho, já sabia da sua formosura: podia encontrar ali mesmo uma companhia ordinária. Mas era pouco para a princesa-menina, esperava paciente alguém que lhe enxergasse com a justa poesia. Só queria o que era dela, o que ela merecia.
segunda-feira, julho 11, 2005
À Bailarina
Ah, como é bela
A bailarina
Girando na sua cela
Pequenina
E o coração
Ela me furta
Dançando a solidão
Com saia curta
De coque violeta
Fazia acrobacia
E fazia pirueta
Mas só eu via!
E a sapatilha
Voava no seu pé
Enquanto a redondilha
Falava de ballet
Interminável carrossel
Na caixinha de menina
Eu amava!
Eu amava a bailarina
A bailarina
Girando na sua cela
Pequenina
E o coração
Ela me furta
Dançando a solidão
Com saia curta
De coque violeta
Fazia acrobacia
E fazia pirueta
Mas só eu via!
E a sapatilha
Voava no seu pé
Enquanto a redondilha
Falava de ballet
Interminável carrossel
Na caixinha de menina
Eu amava!
Eu amava a bailarina
domingo, julho 03, 2005
Queria explodir
Mas a armadura era forte demais
Pra arrebentar
E mesmo que conseguisse
Seria amor e mágoa pra todo lado
Mas a armadura era forte demais
Pra arrebentar
E mesmo que conseguisse
Seria amor e mágoa pra todo lado
quinta-feira, junho 30, 2005
Bobagem
Tirava as bonecas do cesto
Espalhava pelo quarto
E chorava em verso
Pra ninguém saber
Rima pobre, previsível
Pela ponta da caneta
A tristeza lhe fugia
Infinito, repetia
Meu amor é infinito
No outro dia, o conforto
Já não tinha nada escrito
Lágrima seca, meu amigo
Sou boba, mas sou discreta!
Porque paraste de chorar assim, Maria Lúcia?
Tinha alma de poeta!
Espalhava pelo quarto
E chorava em verso
Pra ninguém saber
Rima pobre, previsível
Pela ponta da caneta
A tristeza lhe fugia
Infinito, repetia
Meu amor é infinito
No outro dia, o conforto
Já não tinha nada escrito
Lágrima seca, meu amigo
Sou boba, mas sou discreta!
Porque paraste de chorar assim, Maria Lúcia?
Tinha alma de poeta!
terça-feira, junho 28, 2005
Dia dos Namorados
Escolhe alguma coisa pra levar
Pode ser qualquer lembrança
Pode ter qualquer valor
Que eu posso parcelar
Pede jóia, pede roupa
Pede um novo celular
Só não me pede o coração
Que isso eu não vou te dar!
Pode ser qualquer lembrança
Pode ter qualquer valor
Que eu posso parcelar
Pede jóia, pede roupa
Pede um novo celular
Só não me pede o coração
Que isso eu não vou te dar!
segunda-feira, junho 27, 2005
Bolinha de Papel
É incrível como o João Gilberto faz bossa. A música flutua feito gota de azeite em copo d'àgua. A maioria delas são uns velhos e bons sambas cariocas.
Duas das minhas músicas preferidas são de um mineiro nascido em Juiz de Fora, em 1918, Geraldo Pereira. Foi um dos maiores compositores de samba do Brasil. E já era de prever, ele aprendeu a tocar violão com o Cartola.

Bolinha de Papel
Só tenho medo da falseta
Mas adoro a Julieta como adoro
A Papai do Céu
Quero seu amor minha santinha
Mas só não quero que faça de bolinha de papel
Tiro você do emprego
Dou-lhe amor e sossego
Vou ao banco e tiro tudo pra gente gastar
Posso, oh Julieta, lhe mostrar a caderneta
Se você duvidar
Duas das minhas músicas preferidas são de um mineiro nascido em Juiz de Fora, em 1918, Geraldo Pereira. Foi um dos maiores compositores de samba do Brasil. E já era de prever, ele aprendeu a tocar violão com o Cartola.

Bolinha de Papel
Só tenho medo da falseta
Mas adoro a Julieta como adoro
A Papai do Céu
Quero seu amor minha santinha
Mas só não quero que faça de bolinha de papel
Tiro você do emprego
Dou-lhe amor e sossego
Vou ao banco e tiro tudo pra gente gastar
Posso, oh Julieta, lhe mostrar a caderneta
Se você duvidar
E repete mil vezes sem cansar.
domingo, junho 26, 2005
O difícil não é a primeira palavra
É saber o que dizer
O saber, por si, já te indica
Te enche de possibilidades
Tanto que
Às vezes
Te transborda
É saber o que dizer
O saber, por si, já te indica
Te enche de possibilidades
Tanto que
Às vezes
Te transborda
Pra Que Falar de Tristeza?
Me desculpe o desencanto
Pra que sambar
Se o meu passo falsa tanto?
E a minha dança
Não vai encarar meu pranto?
E me desculpa a franqueza
Pra que sambar
Essa cadência de tristeza
Que não sabe
E que nem tem mais a certeza
Que o teu samba tem amor
E me desculpa a honestidade
Esse teu canto
Nem é samba de verdade
Não é samba de verdade
Não é samba, não senhor
Não há samba sem amor!
Pra que sambar
Se o meu passo falsa tanto?
E a minha dança
Não vai encarar meu pranto?
E me desculpa a franqueza
Pra que sambar
Essa cadência de tristeza
Que não sabe
E que nem tem mais a certeza
Que o teu samba tem amor
E me desculpa a honestidade
Esse teu canto
Nem é samba de verdade
Não é samba de verdade
Não é samba, não senhor
Não há samba sem amor!
Conversa Fiada
É essa falta de ar,
Essa falta de par,
Esse suspiro que me faz cantar
É esse medo de errar,
É essa mesa de bar,
Essa tristeza no olhar
Essa procura por lar
Procurando cessar
Esse medo de amar
É chorar por chorar
Chorando em notas
Esse blá-blá-blá
Essa falta de par,
Esse suspiro que me faz cantar
É esse medo de errar,
É essa mesa de bar,
Essa tristeza no olhar
Essa procura por lar
Procurando cessar
Esse medo de amar
É chorar por chorar
Chorando em notas
Esse blá-blá-blá
Pra Menina no Ônibus
O ônibus balança
E treme o traço
Como tremeriam as palavras
Se eu fosse elas te dizer
E treme o traço
Como tremeriam as palavras
Se eu fosse elas te dizer
Frequentemente eu berrava pra ela: "Não me chame de filho da puta! Eu sou Bandini, Arturo Bandini!"
"Eram umas laranjas miseráveis. Sentado na cama, enfiei as unhas em suas cascas finas. Minha própria carne se franziu, minha boca se encheu de saliva e apertei os olhos ao pensar nelas. Quando mordi a polpa amarela, fiquei arrepiado como num chuveiro frio. Oh, Bandini, falando com o reflexo no espelho da penteadeira, quantos sacrifícios você faz por sua arte! Podia ser um capitão de indústria, um comerciante rico, um jogador de beisebol da grande liga, o arremessador líder com uma média de 415; mas não!
Aqui está você, arrastando-se ao longo dos dias, um gênio passando fome, fiel à sua sagrada vocação. Que coragem você possui!"
Aqui está você, arrastando-se ao longo dos dias, um gênio passando fome, fiel à sua sagrada vocação. Que coragem você possui!"



